Reduza seu risco de câncer com exposição à luz solar

Por William B. Grant, Ph.D. (SUNARC) – raio-solTrad.: José C B Peixoto (UMAOUTRAVISAO)

Com toda a publicidade que incrimina a radiação ultravioleta (UVR) como uma causa importante de câncer de pele, envelhecimento da pele e formação de catarata prematura, poderia se pensar que evitar a UVR seria a melhor política. Não seja apressado. Se a proteção contra UVR fosse de fato a coisa mais importante, todos os humanos teriam a pele muito escura, uma vez que a melanina de uma pele escura protege contra o câncer e o envelhecimento prematuro da pele.

A pigmentação de pele fica mais pálida quanto mais íntima for a relação de nossos antepassados com aqueles que viveram em regiões polares, um evidente modo de equilibrar a produção cutânea de vitamina D como proteção contra os radicais livres e dano ao DNA a partir da UVR [Jablonski e Chaplin, 2000]. Além disso, mesmo um olhar superficial para a variação geográfica nas taxas de mortalidade por câncer nos Estados Unidos [Devesa et Al., 1999] indicam que algum fator ambiental tem que explicar por que as taxas de mortalidade para os vários tipos de cânceres internos são aproximadamente duas vezes mais elevados nos estados nordestinos, altamente urbanizados do que nos estados do sudoeste, mais rurais.

A dieta e fumar são fatores de risco óbvio, importantes para muitos tipos de câncer [Doll e Peto, 1981]. Mas para que a dieta viesse a explicar a variação geográfica das taxas de câncer, os americanos precisariam ter dietas alimentares drasticamente diferentes por região. Porém, qualquer pessoa que viajou ao longo dos Estados Unidos sabe que as opções alimentares não variam muito em qualquer lugar nos contíguos 48 estados desse país

O risco de câncer diminui com mais exposição solar

A chave para a compreensão desse padrão geográfico foi fornecida por Cedric e Frank Garland em 1980 [Garland e Garland, 1980]. Eles chegaram à conclusão que a luz solar, pela produção de vitamina D, reduziu o risco de câncer de cólon nas áreas ensolaradas comparado àquelas nas áreas menos ensolaradas. Eles sobrepuseram um estudo ecológico anual da irradiação solar contra taxas de mortalidade de câncer de cólon e encontraram uma forte correlação inversa, isto é quanto mais luz solar, menos câncer. (Um estudo ecológico trata populações inteiras definidas geograficamente como entidades, com valores para resultado de doença e fatores ambientais ou dietéticos calculados pela média de cada entidade.)

Seu artigo recebeu pouca divulgação no início, talvez porque a UVR fosse comumente associado ao câncer de pele, talvez porque a abordagem ecológica remanescesse desaprovada [Doll e Peto, 1981]. Ainda assim, eles estenderam seu trabalho, usaram as taxas de concentração sérica armazenada de 25-hidroxi vitamina D (25(OH)D) – a forma comum da vitamina D circulante – para outro propósito: associaram com taxas de incidência de câncer colo-retal entre os doadores do material do exame, encontrando uma significativa correlação inversa entre as taxas de 25(OH)D e câncer colo-retal [Garland et Al., 1985]. A lista de cânceres em que os raios ultravioletas B (UVB) (290-315 NM) e vitamina D são protetores foi estendida a uma variedade de estudos de observação epidemiológica ao final dos anos 1990 e incluiu câncer de mama, ovário, de próstata e linfoma não Hodgkin [Grant, 2002b].

Como a vitamina D reduz o risco de câncer

Os mecanismos pela qual vitamina D reduz o risco de câncer estão satisfatoriamente bem compreendidos. Eles incluem uma melhora da absorção do cálcio (no caso de câncer colo-retal) [Lamprecht e Lipkin, 2003], induzindo diferenciação celular, aumentando a apoptose (morte) de células cancerosas, reduzindo metástases e proliferação, e reduzindo a angiogênese [van den Bemd e Chang, 2002]. Adicionalmente, a 25(OH)D reduz o hormônio da paratireóide (PTH) [Chapuy et Al., 1987]. Uma vez que a IGF-1 estimula o crescimento tumoral e suas altas taxas são uma conseqüência da dieta padrão americana [Grant, 2002a; 2004], a vitamina D pode ser considerado um antídoto parcial para a dieta americana.

Quando eu decidi investigar o papel de UVB e da vitamina D na redução o risco de câncer, uma vez convencido de que os fatores dietéticos não podiam explicar a variação geográfica de taxas de mortalidade pelo câncer nos Estados Unidos, eu apresentei duas perguntas para debate:

  • Para quantos tipos de câncer a UVB/vitamina D é protetora?
  • Quantos americanos morrem prematuramente a cada ano devido a inadequados níveis de vitamina D?

Eu comecei com os mapas de taxas de mortalidade por câncer no Atlas de Mortalidade de Câncer [Devesa et Al., 1999] e pesquisei o mapa da incidência de UVB para os Estados Unidos em Julho de 1992 usando dados obtidos pelo TOMS/NASA (NASA’s Total Ozone Mapping Spectrometer)  tomando-a como um preposto para a produção de vitamina D. Neste estudo, eu determinei que a UVB estava inversamente correlacionada com as  taxas de mortalidade para 12 tipos de câncer, inclusive os cinco tipos de câncer já identificados mais sete adicionais, assim estimando que entre 17.000 a 23.000 americanos morrem prematuramente a cada ano devido a vitamina D insuficiente [Grant, 2002b].

Embora o estudo fosse geralmente aceito, críticos apontaram que eu teria ignorado um número de fatores que afetam o risco de câncer e que poderiam, talvez, explicar muito da variação nas taxas de mortalidade. Para responder para estes críticos, eu estendi a análise incluindo vários fatores de risco de câncer onde eu pude encontrar valores médios estaduais (state-avaraged values).

Isso inclui fatores que influenciam as taxas de mortalidade para câncer de pulmão (um índice para os efeitos negativos para a saúde do cigarro), a fração da população considerada de herança hispânica (os hispânicos são contados como americanos brancos no atlas), taxas de consumo de álcool, grau de urbanização, e a fração da população que vive abaixo do nível de pobreza.

Exposição solar (UVB) protege contra 16 tipos de câncer

Esse novo estudo relacionou a UVB como protetor para um total de 16 tipos de câncer: cânceres primariamente epiteliais (pertencendo à superfície) dos sistemas digestivos e reprodutivos [Grant]. Seis tipos de câncer (mama, cólon, endometrial, esôfago, ovariano, linfoma Não Hodgkin) estavam inversamente correlacionados com a radiação solar UVB em combinação com residência rural. Este resultado enfaticamente sugere que viver em um ambiente urbano está associado com exposição de UVB reduzida comparativamente a viver em um ambiente rural.

Outros 10 tipos de câncer incluindo bexiga, vesícula, estômago, pâncreas, próstata, reto e renal estavam inversamente correlacionados com UVB, mas não com uma moradia não urbana.

Dez tipos de câncer estavam significativamente correlacionados com fumar, seis tipos com álcool, e sete tipos com herança hispânica. A condição de pobreza estava inversamente correlacionada com sete tipos de câncer. Uma vez que os resultados para consumo de álcool, herança hispânica, e tabagismo para os americanos brancos estão bem de acordo com a literatura [Trapido et Al., 1995; Thun et Al., 2002], eles fornecem um alto nível alto de credibilidade para essa abordagem e a associação dos resultados com a  radiação UVB.

Mais de 40.000 americanos morrem anualmente de câncer causado por deficiência de vitamina D

Dessa análise, foi estimado que 45.000 americanos morrem por câncer anualmente correlacionado a níveis inadequados de vitamina D: metade pela dose de UVB baseada pela localização (geográfica), e metade baseado em viver em um ambiente urbano com reduzida exposição à radiação solar.

Outros artigos continuam a parecer sustentar a conexão UVB/vitamina D do câncer. O mais recente é da Noruega, mostrando que a detecção dos cânceres de mama, intestino, e de próstata têm um ciclo sazonal correlacionado com a produção de vitamina D pela luz solar [Robsahm et Al., 2004]. Esse artigo é importante, pois demonstra que a vitamina D combate eficazmente contra o câncer até mesmo em fases mais tardias.

Quanta vitamina D é exigida para prevenir câncer?

A quantia de vitamina ingerida D e/ou exposição à UVB exigida para proteção favorável contra o câncer está ainda sendo determinada. Cada pessoa responde diferentemente para uma exposição à UVB e consumo oral de vitamina D dependendo de fatores tais como pigmentação da pele, índice de massa de corpo – IMC – (a vitamina D é lipossolúvel), idade, condição do trato digestivo, outros fatores dietéticos, etc.

A vitamina D dietética isoladamente é insuficiente para uma significativa redução do risco de mais cânceres uma vez que as quantias ingeridas, entre 200 a 400 UI por dia, são muito baixas [Grant e Garland, em imprensa]. Evidentemente, 600 a 1000 UI por dia são exigidos para reduzir o risco de cânceres sensíveis à vitamina D, exceto possivelmente para o câncer de próstata, quando os valores populacionais médios de 25(OH)D no soro são associados com risco mínimo [Tuohimaa ET Al., 2004; Grant, em imprensa].

A compreensão atual é de que os níveis de 25(OH)D no soro deveriam estar ao redor de 30 a 40 Ng/ml (75-100 nmol/L), o que seriam as taxas favoráveis para a prevenção de câncer e manutenção da saúde. O único modo de determinar os seus níveis de 25(OH)D níveis é através de exames de sangue, que podem ser solicitados por médicos ou nutricionista. Deveria ser observado que a dose de UVB exigida para gerar estes níveis é muito menor do que costumeiramente seria considerado um fator de risco para câncer de pele, etc.

O tempo exigido ao sol é provavelmente de 15 a 30 minutos por dia com pelo menos com exposição das mãos e da face nas latitudes médias durante o verão [Reid et Al., 1986], mas depende de vários fatores pessoais. O horário favorável para produção de vitamina D a partir da UVB solar pode ser em torno do meio do dia quando a relação entre UVB para UVA (315-400 NM) é mais alta e os tempos de exposição exigida são menores.

Porém, isso funciona somente quando o sol estiver alto o suficiente – para os demais quatro ou cinco meses mais escuros do ano é impossível produzir qualquer vitamina D a partir da luz solar em Boston [Webb et Al., 1988]. Quando a UVB solar não está disponível, temos que contar com a vitamina D armazenada (de semanas a meses), UVB ARTIFICIAL, suplementos dietéticos, muitos tipos de peixe, ou alimentos fortalecidos, que agora incluem o leite e até o suco de laranja.

Como você pode proteger a si mesmo de níveis inadequados de vitamina D?

Enquanto os resultados científicos crescentemente fornecem dados que sustentem a hipótese de que a UVB e a vitamina D reduzem o risco de muitos tipos de câncer assim como também muitos outros tipos de doenças inclusive doenças músculo esqueléticas, doenças auto-imunes e hipertensão, ainda assim isto provavelmente demorará por algum tempo antes do sistema de saúde abraçar esta hipótese e agir na recomendação de valores mais altos de 25(OH)D, o que exigiria um aumento na exposição de UVB (naturais e artificiais) e suplementos dietéticos.

Porém, um indivíduo informado que cuidadosamente estuda a literatura pode com muita probabilidade reduzir seu risco de câncer e várias outras doenças com exposição cuidadosa à UVB, sendo particularmente cuidadoso para evitar uma queimadura solar, e com consumo adequado de Vitamina D.

Mais informações sobre o papel protetor da UVB contra o câncer de mama e colo-retal, outros cânceres, e outras doenças podem ser encontradas no site do autor: www.sunarc.org

William B. Grant tem Ph.D. em física pela U.C. Berkeley e trabalhou em nível de cientista de pesquisa sênior nos campos da óptica e laser remote sensing das ciências atmosféricas da SRI Internacional, do Jet Propulsion Laboratory, e no Centro Langley de Pesquisa da NASA. Ele é o autor ou co-autor de mais de 60 artigos jornais revisados, editou dois livros, e contribuiu em vários capítulos de outras publicações.

Ele publicou o primeiro artigo relacionando dieta e doença de Alzheimer e identificando os grandes componentes dietéticos que são fatores de risco e de redução de risco. Ele também estudou os vínculos entre açúcares e doença de coração e obesidade dietética, dieta e câncer de mama, intestino e de próstata, e UVB/vitamina D e câncer e doenças auto-imunes. Ele recentemente se aposentou da NASA e fundou o Centro de Pesquisa de Luz Solar, Nutrição e Saúde (SUNARC), onde ele continuará e estenderá sua pesquisa em saúde e esforços educacionais.

Referências:

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  3. Doll R, Peto R. The causes of cancer: quantitative estimates of avoidable risks of cancer in the United States today. J Natl Cancer Inst. 1981;66:1191-308.
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Fonte original Mercola.com

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